Nobres
Governador assina convênio de R$ 5 milhões para solucionar alagamentos
Obras de drenagem e pavimentação vão resolver um problema crônico de alguns bairros do município
Política
O governador Mauro Mendes e o prefeito de Nobres, Leocir Hanel, assinaram nesta quinta-feira (09.06) um convênio no valor de R$ 5,3 milhões para obras de pavimentação e drenagem profunda de 20 avenidas e ruas do município, compreendendo uma extensão de 2,2 mil metros quadrados.
Essas obras vão solucionar um problema de mais de uma década de alagamento que parte dos conjuntos habitacionais “Daury Riva” e “André Maggi” sofrem, especialmente no período da chuva, além de garantir a pavimentação do Vista Alegre, Pôr do Sol e Água Limpa, região conhecida como grande Petrópoles.
Também assinaram o convênio o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira. O presidente do MT Par, Wenner Santos, e os vereadores do município também estiveram presentes no ato de assinatura ocorrido no Palácio Paiáguas.
De acordo com o governador, as parcerias com prefeituras têm sido uma alternativa encontrada pelo Estado para solucionar problemas que os municípios sozinhos não teriam condições de resolver, a exemplo da drenagem e pavimentação. Dos R$ 5,3 milhões conveniados, serão repassados R$ 5 milhões pelo Estado e o município dará uma contrapartida de R$ 300 mil.
“Estamos repassando R$ 5 milhões para serem utilizados ali na região da grande Petrópoles, para resolver um problema que é histórico, de décadas, de alagamentos. Foi construído um condomínio popular e não foi feita a infraestrutura. Agora estamos resolvendo esse problema, aportando o dinheiro para fazer a drenagem e o asfalto em diversas ruas e bairros”, afirmou.
Ainda segundo o governador, as obras vão proporcionar, acima de tudo, qualidade de vida e dignidade àqueles que ali vivem e que há tantos anos esperam por uma solução – e é um exemplo de parceria que já é realizada com outros municípios e que serão ampliadas para mais cidades do Estado.
“O Estado está fazendo importantes investimentos em diversas áreas. Estamos construindo pontes, rodovias e fazendo muito naquilo que podemos. Mas é importante também que o governo possa auxiliar os municípios na melhoria da qualidade de vida dentro das cidades. E nesse momento estamos com alguns projetos em andamento e esperamos alcançar os 141 municípios com ações especificas do governo do Estado, junto com as prefeituras, para criar soluções para melhorar a vida dentro desses municípios”, disse o governador.
O secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, explicou que o problema de alagamento ocorre em razão da drenagem ineficiente realizada quando da execução da obra dos residenciais. Com isso, a água invade as casas e a intenção da nova obra é acabar definitivamente com esse problema.
“O prefeito me levou esse problema que assola o município há décadas. Quando construíram as casas, pegaram um local sem a infraestrutura necessária. Quando chove, inunda tudo. Prontamente levei essa situação para o governador, que autorizou essa formalização de convênio. O grande problema ali é a falta de drenagem, pois só pavimentação não ia adiantar. Vamos implantar o sistema de drenagem profunda, que vai retirar o considerável fluxo de água dos terrenos e dar nova vazão à água que hoje acumula nas moradias”, explicou.
Segundo o prefeito de Nobres, Leocir Hanel, esse convênio vai “ajudar a corrigir um erro do passado” e pelo menos 490 famílias que estão alojadas nos residenciais e nos bairros serão beneficiadas com a realização das obras, que serão executadas diretamente pelo Município.
“Esse convênio é uma redenção. Um sonho dessa região que é carente e sofre com o alagamento de casas populares. Vai resolver um problema crônico de Nobres. Esse montante de R$ 5 milhões é uma das maiores liberações de recursos do Estado que o município já recebeu. Nobres nunca teve um recurso liberado pelo Estado nesse montante. Parabenizo o governador pela sensibilidade, pela parceria e agradeço toda a equipe da Sinfra que nos auxiliou para que tudo culminasse neste momento”, afirmou.
Política
Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio
Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.
A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Números
Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.
Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.
— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.
A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.
Bullying
Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.
— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.
— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.
A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.
— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.
CVV
Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.
— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.
O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.
Risco das bets
Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos.
— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.
A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra.
Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.
— O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.
Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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