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Pantanal em chamas: deputado Avallone diz ser preciso unificar esforços contra incêndios

Parlamentar destacou que segue se reunindo semanalmente com os envolvidos na operação para avaliar estratégias e ações 

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Política

Foto: Ronaldo Mazza

O presidente da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, o deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), esteve em dois pontos de incêndios na região da Rodovia Transpantaneira, em Poconé, para acompanhar os trabalhos de combate ao fogo, realizado dos militares do Corpo de Bombeiros, além dos brigadistas da Defesa Civil, pecuaristas e integrantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). 

A visita contou com a presença do secretário executivo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Alex Marega; de assessores do senador Wellington Fagundes, Valdir Barranco, da deputada federal Rosa Neide; representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso (OAB-MT), e do vereador de Poconé, Dudu Carrapato. 

Avallone destacou a união de esforços entre governo do estado, Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e a sociedade organizada, além da conscientização da população que está resultando na diminuição dos focos de calor em comparação com o mesmo período do ano passado, quando os incêndios destruíram milhões de hectares no Pantanal. 

“Não se parou de trabalhar desde os incêndios de 2020. Esse planejamento estratégico e a união de forças já nos resultaram em uma diminuição de mais de 90% dos incêndios. Hoje as equipes estão com as pás-carregadeiras que chegam próximo ao fogo e fazem os aceiros evitando a propagação das chamas. Além disso, também foi montada uma base de apoio, localizada em um ponto da Rodovia Transpantaneira, com tanques de água e combustível para abastecer as aeronaves usadas nos combates dos incêndios”, explicou.

Sobre isso, o coordenador nacional do ICMBio, João Morito, elogiou os trabalhos feitos pelas equipes no combate às chamas e destacou as estratégias adotadas como a dos operadores das pás-carregadeiras serem pantaneiros. 

“Eles conhecem o terreno e as condições geográficas. Sabem onde exatamente onde fazer os aceiros para conter o fogo. Mesmo assim, para entendermos e traçarmos estratégias de controle das chamas, tivemos que ficar observando o local por mais de 15 horas. Dormimos aqui na mata e também sobrevoamos o terreno de helicóptero”, falou. 

POÇOS ARTESIANOS 

Outro ponto que o deputado lembra é a importância da criação de poços artesianos na extensão da Rodovia Transpantaneira que vai servir de ponto de coleta de água para as equipes de combate aos incêndios e, também para matar a sede da fauna do Pantanal. 

“O lugar também vai poder ser usado por turistas que queiram observar os animais beberem água. Essa foi uma ótima ideia dos pantaneiros e da [Associação de Defesa do Pantanal] Adepan. A ideia é que faça ao menos 10 poços na rodovia. Quero agradecer a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema)  que está nos ajudando nisso”, comentou.

Por fim, o parlamentar destacou que segue se reunindo semanalmente com os envolvidos na operação para avaliar estratégias e ações. 

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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