VÁRZEA GRANDE

Investimentos de R$ 100 milhões vão resolver falta d’água, afirma prefeito Kalil

Kalil prospecta solução definitiva e eficaz para um dilema que aflige a população de Várzea Grande há décadas

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Política

Secom VG

O prefeito de Várzea Grande, Kalil Baracat, está decidido a resolver de vez o déficit de abastecimento de água potável em Várzea Grande. Desde que assumiu o comando da administração várzea-grandense, Kalil tem encetado iniciativas sucessivas nesse sentido. “Não queremos entrar para a história como o prefeito que resolveu a falta d’água em Várzea Grande, mas essa é uma questão que vamos bater martelo resolutivo. Estabeleci esse compromisso comigo mesmo desde que me lancei candidato à Prefeitura”.

Além de já ter ido a Brasília e mantido audiência com o presidente Jair Bolsonaro, encontro agendado pelo senador Jayme Campos, o prefeito Kalil tem estabelecido contato com parceiros pontuais também na Câmara Federal, a exemplo do deputado Emanuelzinho Pinheiro (PTB), na Assembleia Legislativa de MT, Governo do Estado e Câmara Municipal.

“Temos unificado um batalhão de parceiros institucionais em prol de Várzea Grande, e os primeiros resultados já começam a surgir. Com Bolsonaro, garantimos maior estoque de vacinas para vencer a Covid-19, além de promessas do dirigente da Nação em direcionar mais recursos para investimentos diversos em Várzea Grande, notadamente na área de saneamento básico, asfalto, moradias, etc. Enfim, as medidas necessárias vêm sendo ultimadas para o alcance das metas que inserimos no foco de prioridades locais. Uma das prioridades reside no abastecimento regular de água potável”.

ENCONTRO PROVEITOSO

No último dia 3, o o prefeito Kalil, juntamente com todos os vereadores de Várzea Grande, mantiveram reunião com o deputado federal Emanuel Pinheiro (PTB/MT), oportunidade em que o parlamentar petebista explanou proposta de Cuiabá vender água para VG.  Estudos técnicos do Departamento de Água e Esgoto (DAE/VG) apontam para inviabilidade técnica e econômica para a proposta sugerida.

“É louvável essa iniciativa do deputado Emanuel Pinheiro Neto, mas é necessário que as pessoas compreendam que existem problemas técnicos, legais e gerenciais a serem vencidos, pois estamos falando em venda de água, que incide em custo e obras enormes, como uma nova adutora e mais intervenções na Avenida da FEB, que já está toda penalizada pela paralisação de obras do Veículo Leve sobre Trilhos [VLT está sendo trocado pelo BRT – Bus Rapid Transit], disse Kalil Baracat.

O prefeito várzea-grandense lembrou que, em 45 dias, estará pronta e funcionando a nova ETA Grande Cristo Rei, com capacidade de 320 litros por segundo, ou 27 milhões de litros de água por dia, e que atenderá a 72 bairros de toda a região. Prazo infinitamente menor do que a obra sugerida pelo parlamentar federal, que seria de 120 dias, e que reativaria a ETA Porto, paralisada e obsoleta, pois ofertará menos água do que a nova Estação.

Kalil sinalizou ainda pelo lançamento, agora em setembro, das obras da ETA Chapéu do Sol, de 250 litros por segundo ou 21,6 milhões de litros por dia. Este empreendimento será executado pelo Governo do Estado, em parceria com Várzea Grande. Também citou a ampliação da ETA Bonsucesso, que é de 5 litros por segundo, para 125 litros por segundo, ou 10,8 milhões de litros por dia.

Apesar das obras projetadas na área de saneamento básico, Kalil disse que não vai descartar nenhuma ajuda oferecida, inclusive agradecendo, de público, as emendas encaminhadas pelo deputado Emanuel Pinheiro Neto. “Mas seria um contrassenso falar que Várzea Grande vai comprar água de Cuiabá, quando estamos investindo mais de R$ 100 milhões de dinheiro público para colocar um ponto final nesta história da falta de água em Várzea Grande”, explicou.

Emanuel Pinheiro Neto assinalou que, como representante popular e morador de Várzea Grande, gostaria de contribuir na solução dos problemas da falta de água, e viu na proposta de Cuiabá a possibilidade de pelo menos diminuir o sofrimento das pessoas pela falta de água.

“Sabemos que é uma oferta limitada para algumas regiões da cidade, mas, de qualquer forma, é uma sinalização, uma busca de minorar o sofrimento daqueles que estão sem água, independente de qualquer motivo”, disse o parlamentar acompanhado por Alexandro de Oliveira, presidente da ARSEC – Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá.

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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