DISCUTINDO O FUTURO DE VG
Câmara de VG discute abastecimento d’água com Emanuelzinho Pinheiro
Deputado federal atendeu convite do presidente do Legislativo de Várzea Grande, oportunidade em que o setor de saneamento básico priorizou a pauta do encontro
Política
O deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PTB-MT) se tornou visita rotineira em Várzea Grande desde o seu ingresso na carreira pública. Essa atenção especial às terras de Couto Magalhães decorre da grande votação que o filho do prefeito cuiabano obteve no último pleito municipal, quando saiu candidato a prefeito. Mas o fato de ter sido derrotado por Kalil Baracat não impede o parlamentar Emanuelzinho de envidar esforços contínuos para atender o município em suas demandas básicas, a exemplo do segmento de abastecimento d’água.
Esse foi o principal tema, aliás, da reunião que o deputado Emanuelzinho manteve hoje (30) com o presidente do Legislativo várzea-grandense, vereador Fábio José Tardin [DEM], no gabinete da presidência do Parlamento Municipal. Outros assuntos, de interesse coletivo da comunidade várzea-grandense, também foram discutidos durante o encontro.
Ao convidá-lo, o presidente Fabinho já prospectara aprofundar discussão do impasse que o município registra tradicionalmente na área de saneamento básico, deficiência que tem assinalado o maior pacote de queixas da população local por décadas.
O entendimento do dirigente da Casa de Leis da Cidade Industrial é que VG não pode passar sede com um rio tão abundante no seu entorno, sendo fundamental, portanto, que as sugestões apresentadas [em outras reuniões públicas e privadas dos Poderes] efetivamente aconteçam, moldando-se naquilo que todos aguardam.
“O prefeito Kalil está às voltas com um dilema que não podia estar enfrentando, convenhamos. É algo que já deveria ter sido resolvido lá atrás. Porque, ainda que a sua antecessora tenha feito um belíssimo trabalho de gestão, a falha no sistema de abastecimento d’água não foi sanada. E a população de VG continua sofrendo muito com isso”, disse Fabinho.
Ele entende que essa reunião com o deputado Emanuelzinho foi positiva em vários sentidos, pois possibilitou discutir a limpo alguns entraves dessa ordem e outros pelos quais VG tem passado.
“Emanuelzinho possui essa sensibilidade, além de conhecer o problema de abastecimento que nosso município vivencia há décadas e outras demandas locais. Discutimos alguns projetos em andamento em VG e os empecilhos que os cercam. No caso do abastecimento d’água, a ideia é buscar resolver agora algo que, lá na frente, sem dúvidas vai ficar ainda mais grave”.
Para o deputado federal Emanuelzinho, é inadmissível que Várzea Grande ainda enfrente falta d’água potável, levando-se em conta o potencial desenvolvimentista do município. Ele lembrou que Cuiabá já passou por dilema semelhante, deficiência hoje praticamente solucionada. “Mas o prefeito cuiabano continua investindo para estruturar o abastecimento, a exemplo de recente unidade inaugurada no distrito do Sucuri”.
Já em Várzea Grande, assinalou, após a consolidação de projetos macros de abastecimento (ETA do Cristo Rei e do Chapéu do Sol), a universalização do sistema ficará mais palpável. “Fabinho também está otimista em relação ao curso das coisas”, comentou.
Para o presidente Fabinho, realmente há esperanças de que os problemas de abastecimento sejam logo contornados em VG, sendo injustificável que a segunda maior cidade do Estado continue a caracterizar realidades sedentas.
“A construção da nova ETA do Chapéu do Sol, projeto em fase de licitação pelo Executivo, cuja finalização deve ocorrer em aproximadamente três anos, vai resolver de vez essas falhas que incidem na falta d’água nas torneiras várzea-grandenses. Quer dizer: dentro do possível, e eu diria até além de suas possibilidades, o prefeito Kalil tem procurado resolver isso”.
ATUAÇÃO DESTACADA…
Em Brasília-DF, Pinheiro é conhecido por ser um político atento para oficializar a destinação de verbas que VG e outros municípios de MT necessitam em campos distintos, a fim de implementar projetos estruturais que contemplem o todo da sociedade. A juventude é uma das aliadas dessa forte disposição do parlamentar em ajudar, marcando presença atuante em vários lugares.
Conforme o deputado, ele foi eleito para trabalhar por todo o Estado, e dessa forma tem se pautado para atender todas as categorias públicas e comunitárias, mantendo olhar especialmente atencioso às mais humildes.
“Por vezes, o olhar mais humilde clama por necessidades ainda não visualizadas por quem se encontra acomodado numa esfera superior. Estou acompanhando cada passo nesse sentido, a fim de não permitir que injustiças se sobreponham às reais necessidades do povo”.
*Por João Carlos de Queiroz
Política
Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio
Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.
A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
Números
Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.
Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.
— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.
A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.
Bullying
Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.
— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.
— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.
A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.
Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.
— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.
CVV
Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.
— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.
O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.
Risco das bets
Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos.
— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.
A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra.
Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.
— O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.
Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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