DIA DO FEIRANTE

Emanuel oficializa ‘Campo do Bode’ como área de conservação

O Campo do Bode é reconhecido em nível nacional por realizar um dos maiores campeonatos dos feirantes há 16 anos

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Foto: Davi Valle

Na data especial de homenagem aos feirantes, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, oficializou o  termo de comodato para administração do “Campo do Bode”. O espaço é tradicionalmente utilizado para realização do Campeonato dos Feirantes do Mercado do Porto, que este ano completa 16 anos. A solenidade foi realizada na noite de 25 de agosto.

Catalogado como Zona de Interesse 3, o ‘Campo do Bode’ será transformado em uma área de conservação de domínio público, passando a ser administrada pelo Executivo Municipal nos próximos dez anos, sem ônus, podendo o comodato ser prorrogado.

“Essa é mais uma demonstração de que a nossa gestão trabalha pelo povo e para o povo. Não poderíamos deixar de lado o ‘Campo do Bode’, que já presenciou muitos eventos e campeonatos. Além do que, será uma área que vai ajudar muito  nesse período de finalização das obras do novo Mercado do Porto, que será o maior cartão postal do município. Para isso, vamos precisar de um estacionamento e realocar companheiros. Nós vamos trocar o pneu com carro em movimento. Eles precisam continuar trabalhando para sustentar suas família. Os feirantes merecem. O nosso muito obrigado pela parceria e confiança na nossa administração, que quer transformar a nossa querida e amada Cuiabá, num local melhor para se viver”, disse o prefeito Emanuel Pinheiro.

O gestor ainda complementou pedindo a compreensão dos permissionários até o término da obra. “Sei que é difícil receber um campo que vai funcionar, provisoriamente, como um estacionamento, além de ter que trabalhar em meio a obras. Posso garantir que ao final, o resultado será satisfatório para todos. Será bom para Cuiabá e para todos que aqui vivem, sem dúvida o resultado será satisfatório. O compromisso da gestão com aqueles que trabalham e trazem, o desenvolvimento para a capital”, acrescentou Pinheiro.

O vice-prefeito e secretário de Obras Públicas, José Roberto Stopa, endossou a fala do chefe do Executivo Municipal e ressaltou os investimentos que a capital vem recebendo.

“Às vezes as pessoas não entendem a complexidade do que é entregar uma obra como essa, como o novo Mercado do Porto. Esse novo espaço que será entregue não perderá para nenhuma das feiras existentes no Brasil”, disse.

Já o secretário de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Francisco Vuolo, deu início a sua fala rememorando  satisfação de estar à frente da Pasta em uma gestão que se pauta pela humanização.

“O senhor, nosso prefeito, coloca um divisor de águas para os feirantes, garantindo não só aos desportistas, a condição de promover e valorizar o Campo do Bode, sendo sede de um dos maiores campeonatos entre feirantes. A gestão Emanuel Pinheiro está preocupada não tão somente com a obra física, mais muito mais com a obra do cidadão, que trabalha incansavelmente para o desenvolvimento da cidade, para levar o sustento diário para a família. Não só nesse aspecto, bem como da integração onde muitas outras atividades poderão ser desenvolvidas para melhoria da qualidade de vida e o bom relacionamento entre os feirantes e o poder público”, destacou Francisco Vuolo.

“Essa é a primeira gestão que deu valor há um local familiar e que existe há mais de 29 anos, que reconhece a importância ambiental do espaço. A gestão é a primeira a se preocupar em cumprir a legislação e já temos um projeto, o do Parque das Paineiras que acompanha o Plano Diretor que está em discussão. Nossos sinceros e agradecimentos a todos os envolvidos”, declarou emocionado, o representante da família e proprietário do campo, Marcel Campos.

Para o presidente do Campeonato de Futebol dos Permissionários do Mercado do Porto, Régis Souza, o momento retrata mais uma conquista.

“Primeiramente, agradeço  a Deus e quero dar parabéns ao prefeito pela assessoria, pois ninguém trabalha sozinho. Uma gestão bem feita é aquela que quando é procurada pela população dá o retorno necessário de acordo com a demanda requerida. O ‘Campo do Bode’ é representado por 120 jogadores e por suas famílias que ficam no camarote para prestigiar os campeonatos. É fora do comum o que está acontecendo não só no esporte e lazer como nas condições do ambiente de trabalho”, exaltou o presidente.

Representando a Câmara Municipal, vereador Mário Nadaf disse que o ‘Campo do Bode’ é um local que lhe remete a infância. Cuiabano nato, ele considera o dia da oficialização da parceria como um grande sonho. “Tenho certeza que não só o campo, como o Mercado do Porto,  que será entregue reformado e revitalizado,  será um lugar que sinônimo da cultura, gastronomia e arte. Talvez, o espaço mais cuiabano da cidade, servirá de atração dentro das rotas turísticas de visitação. A nossa resposta é a de sempre, trabalho, trabalho e muito trabalho”, afiançou Nadaf.

Estiveram presentes ao evento, os vereadores Marcrean dos Santos, Cezinha Nascimento, secretários municipais da Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Públicos- Limpurb, Vanderlúcio Rodrigues, de Habitação e Regularização Fundiária, Leonardo Leão, secretários-adjuntos de Obras, Anderson, da Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Gustavo Padilha e da Educação, Débora Marques. Além de Rosilma Tbaldi,  coordenadora das ações do Mercado do Porto,  e Nado Batista, presidente do bairro do Porto.

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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