PANTANAL

Indicações de Max Russi apontam ações de prevenção e combate a incêndios

Presidente da ALMT apresentou uma série de indicações que preveem disponibilização de equipamentos de combate ao fogo

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Política

Foto: Fablício Rodrigues-ALMT

Os incêndios que atingem a região do Pantanal mato-grossense já destruíram mais de 261 mil hectares, conforme monitoramento feito pelo Instituto SOS Pantanal. A marca está próxima do registrado neste mesmo período, em 2020, quando foram devastados 265 mil hectares. Preocupado com a situação e na busca para evitar novas tragédias, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (PSB), apresentou Indicações que visam o combate as queimadas, sobretudo na região do Pantanal. Entre as propostas, a disponibilização de equipamentos de combate ao fogo, perfurações de poços artesianos e criação de ações emergenciais de fiscalização e conscientização, a fim de conter os incêndios sazonais que assolam o Pantanal. 

“O nosso Pantanal precisa ter uma política constante de preservação, entrar efetivamente na pauta de ações para combater outros problemas além das queimadas criminosas, como o garimpo ilegal, a pesca predatória e o avanço irregular da agricultura. Necessita de ações integradas e constantes, fruto de uma política pública pensada para hoje e para o futuro”, defende o presidente da ALMT.  

Max Russi defende ainda que a perfuração de poços artesianos pode ajudar sobremaneira no combate as queimadas. O parlamentar informou que o governo federal deve liberar nos próximos dias verba para a construção de cinco postos de prevenção ao longo da Estrada Parque Transpantaneira (MT-060). 

“A medida visa estruturar o sistema de mananciais na rodovia, onde serão construídos os postos de prevenção, nos quais serão perfurados poços com o objetivo de solucionar a falta de água nas lagoas durante o período de estiagem e de queimadas”, explicou o presidente do Legislativo ao rememorar que, no ano passado, o problema de falta de água dificultou bastante as ações de combate aos incêndios, já que as principais fontes são os rios Bento Gomes, Pixaim e Cuiabá, que ficam muito distantes um do outro.

Veja algumas das indicações de preservação e combate:

Indicação n° 4021/2021 – solicita destinação de recursos para o combate aos incêndios recorrentes na região do Pantanal do município de Cáceres.       

Indicação nº 3498/2020 – prevê a efetivação de ações emergenciais de fiscalização e conscientização a fim de conter os incêndios que assolam o Pantanal.

Indicação nº 5031/2020 – pede a criação de campanhas de arrecadação de alimento e água para os animais do pantanal de Mato Grosso, já que os incêndios destruíram grande parte da vegetação que fornecia comida à fauna local.

Indicação n° 5822/2019 – requer a implantação e a regularização de sinalizações na (MT 060) (Zélito Dorileo / Transpantaneira).      

Indicação n° 1724/2021 – disponibilização de equipamentos de combate a incêndio para a Brigada Municipal que será criada na cidade de Jaciara.

Indicação n° 1731/2021 – criação de uma Brigada de Incêndio, assim como a disponibilização de um caminhão equipado para o combate a queimadas, para a cidade de Terra Nova do Norte.

Indicação nº 3829/2020 – solicita ao governo, a intensificação na fiscalização de incêndios criminosos nas matas próximas às áreas urbanas e nas áreas das reservas indígenas.

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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