Sítio pesqueiro no Manso

Famílias ribeirinhas se reúnem para reiterar apoio à lei

A medida, que visa proteção ambiental e geração de emprego e renda, proíbe pesca predatória naquela região

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Foto: FABLICIO RODRIGUES / ALMT

Uma comissão formada por 50 famílias ribeirinhas que residem no entorno do Sítio Pesqueiro Estadual do Manso esteve com o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (PSB), nessa terça-feira (17), para reiterar apoio à Lei 11.486/2021, de autoria do parlamentar, e sancionada pelo governo do estado no início deste mês. A medida, que visa incentivar a proteção ambiental e geração de emprego e renda, proíbe a extração de recursos pesqueiros de forma predatória, salvo nas modalidades exercidas com a finalidade de subsistência ou amadora àquela região. A área onde está suspensa a atividade é de aproximadamente 52 km, dos 850 km de toda a extensão do rio. 

As famílias vieram acompanhadas pelo empresário e diretor de turismo de pesca do Sindicato de Bares, Hotéis, Restaurantes e Similares, Alisson Trindade, que vê na modalidade esportiva uma evolução para o turismo e a pescaria em Mato Grosso. Segundo ele, os cardumes estão cada vez menores. Trindade acredita que a nova media poderá garantir a sustentabilidade e o aumento no volume de peixes.

Do ponto de vista do empresário e das famílias ribeirinhas, com a implementação da lei sustentável, será possível instalar nessas regiões com potencial pesqueiro indústrias de turismo de pesca, que vão se perpetuar ao longo do tempo trazendo mais renda para a população das zonas ripárias, bem como emprego de qualidade, além de mais peixe no rio para se alimentar.

“A gente está trabalhando pela efetivação dessa lei e para que ela consiga evoluir para outros sítios pesqueiros mato-grossenses”, defendeu Alisson ao acrescentar que a medida significa um grande avanço, tendo em vista que tanto no Rio Manso quanto no Rio Cuiabá é cada vez menor a quantidade de peixes. 

Questionado sobre os motivos que trouxeram ele e os ribeirinhos até o deputado, Alisson esclareceu que “os rios Manso e Cuiabazinho são as cabeceiras do Rio Cuiabá, ou seja, todo o peixe que sobe do Pantanal, que passa pelo Rio Cuiabá, chega no Manso e no Cuiabazinho, que são rios estreitos e tem uma pesca predatória muito forte, principalmente no Cuiabazinho”. Ele avalia que a prática ocasiona a diminuição dos peixes nesses rios, o que afeta diretamente o Rio Cuiabá. 

“Ela [a lei] faz um sítio pesqueiro nessa região que tem uma importância ideológica enorme. Proíbe o abate de toda e qualquer espécie, por pescadores amadores e profissionais, sendo permitido somente o ribeirinho fazer a sua pesca de subsistência. Eu e esse grupo de famílias que estamos aqui acreditamos que a normativa vai repovoar esses dois rios e também aumentar o volume de pescado no Rio Cuiabá”, destacou o empresário a respeito da lei.

O presidente da Assembleia Legislativa lembrou que a lei também poderá atrair indústrias de turismo de pesca, além de oportunizar renda qualificada para o ribeirinho e fomentar a economia do estado. Russi acredita que o pescador esportivo pode investir em Cuiabá, gastando com hotel, restaurantes, etc. Depois disso tudo, acaba indo para o Manso, movimentando a economia do local e gerando uma cadeia produtiva positiva.

Na continuidade da reunião, o empresário explicou que, atualmente, são mais de 70 famílias que trabalham na sua empresa de turismo de pesca esportiva. E o volume de peixe tem diminuído não só lá, mas em todo o Pantanal, pois segundo ele há uma cultura exacerbada de pesca predatória, falta de fiscalização e vário fatores negativos.

Alisson ressaltou ainda que a lei garante o direito de o ribeirinho pescar e se alimentar com 5 kg de peixe por dia. “A gente espera que dentro de dois ou três anos, esse repovoamento já tenha acontecido para que nós, os ribeirinhos, possamos ter o nosso alimento dali. Somos nós os que mais precisam do rio e estamos totalmente privilegiados por essa lei”, avaliou.

No começo deste mês, Max propôs a criação de uma linha de crédito subsidiada, sem juros, para a aquisição de um barco e um motor pequenos por núcleo familiar, às populações ribeirinhas que residam no entorno do Sítio Pesqueiro Estadual do Manso. O parlamentar assegura que intenção é garantir apoio e adaptação daquelas famílias aos efeitos da lei. 

 “São mais de 50 pessoas que vive lá, que conhece a região, que sabe das dificuldades. E hoje elas tiraram um tempo para vir nos visitar e nos dar apoio à lei, e dizer que é muito importante o que a Casa fez para eles”, avaliou Russi, destacando que foi uma reunião bastante proveitosa.

“Escutei as colocações que eles fizeram, inclusive sobre a soltura de alevino, um projeto que a assembleia vai liderar com vários deputados que apoiam a ideia, além de outros projetos que a gente precisa avançar na questão da pesca, como por exemplo das hidrelétricas, escadarias, baias de Chacoreré e Sia Mariana, que têm que serem melhor cuidadas”, declarou o presidente.

A Lei 11.486/2021 regulamenta que no Sítio Pesqueiro Estadual do Manso somente será permitida a pesca esportiva na modalidade “pesque e solte” com os seguintes apetrechos: linha de mão; caniço simples; caniço com molinete ou carretilha; equipamentos de pesca com mosca; iscas naturais (endêmicas da bacia hidrográfica); iscas artificiais; anzol sem farpa.

Os trechos onde serão proibidos o uso dos recursos pesqueiros, conforme a normativa, compreendem o Rio Cuiabazinho e suas drenagens até a confluência com o Rio Manso e; Rio Manso e respectivas drenagens até a confluência com o Rio Cuiabazinho.

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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