ANALFABETISMO
“Vamos ajudar a erradicar o analfabetismo em Mato Grosso”, afirma governador
Mauro Mendes lembrou que sua mãe não sabia escrever e anunciou programa para mudar essa realidade, que faz parte da vida de milhares de mato-grossenses
Política
O governador Mauro Mendes afirmou que o programa Mais MT Muxirum, lançado nesta quarta-feira (11.08), vai ajudar a erradicar o analfabetismo em Mato Grosso, que hoje ainda atinge cerca de 200 mil mato-grossenses (6% da população).
O programa prevê erradicar o analfabetismo entre pessoas com mais de 15 anos, no Estado de Mato Grosso, nos próximos cinco anos. Com investimentos de R$ 14,7 millhões ao ano, só no segundo semestre de 2021 serão atendidas mais de 48 mil pessoas em 60 municípios. O início das aulas está programado para ocorrer em setembro.
Mauro Mendes lembrou que o analfabetismo é um problema que fez parte da vida de sua própria família.
“Eu estou fazendo isso porque sou filho de uma mãe que saiu desse mundo sem saber escrever o seu próprio nome. Então eu gostaria muito de algum dia poder contar essa história, que ajudei e que nós vamos ajudar a erradicar o analfabetismo em Mato Grosso”, pontuou.
Conforme o governador, o programa vai contar com mais de 100 coordenadores e mais de 3 mil alfabetizadores no âmbito da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).
Entre 2017 e 2019, o programa atendeu 12.940 pessoas. Só esse ano serão 48.399, ou seja, 274% a mais do que em três anos. Em 2020 o programa foi suspenso devido à pandemia.
“O Muxirum é o mesmo programa de alguns anos e não fizemos questão de mudar de nome. Porque ele vai atacar de frente, com força, o analfabetismo aqui no Estado de Mato Grosso. Nós temos ainda 200 mil mato-grossenses, aproximadamente, que são analfabetos.
A nossa meta é, em quatro anos, trazer isso para o percentual que a Unesco reconhece como erradicação do analfabetismo, que é abaixo de 3%”, destacou.
Lançamento
O programa foi lançado na manhã desta quarta-feira (11.08) na Assembleia Legislativa, com a condução do secretário de Estado de Educação, Alan Porto.
Além do Muxirum, também foi lançado o Alfabetiza MT, que visa garantir a alfabetização das crianças até o 2º ano do Ensino Fundamental, de forma a reduzir as taxas de alfabetização incompleta e letramento insuficientes em séries avançadas.
Os investimentos serão de R$ 16,5 milhões ao ano e terão o apoio da Fundação Lemann, Associação Bem Comum e Instituto Natura. O Governo ficará responsável pelo apoio técnico e pedagógico, formação de profissionais, avaliações externas, premiação de escolas e acompanhamento das ações nas prefeituras. Os municípios terão que fazer a adesão ao programa, ampliando o regime de colaboração.
Dentro do programa, haverá o Prêmio Educa MT, que vai premiar as escolas. O incentivo será de R$ 8.250.000,00, sendo R$ 5.500.000,00 para a premiação e R$ 2.750.000 para apoio financeiro.
Serão premiadas as 200 escolas da rede púbica estadual de Mato Grosso, sendo 80 com melhores resultados, 10 com as maiores evoluções, 10 que tiverem os menores desvios-padrões, e receberão apoio as 100 escolas que obtiverem os resultados mais baixos, a fim de melhorar esses índices.
O Alfabetiza MT é inspirado no Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC) do Ceará. Implantada há 14 anos, a iniciativa foi a responsável em elevar os índices de alfabetização entre os estudantes.
Em 2007, o Ceará era o 16º do país no Ideb (Ensino Fundamental). Em 2019, já ocupava o 3º lugar, atrás de São Paulo e Paraná. Além do Ceará, já implantaram o programa Amapá, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Política
Retrospectiva: novo piso salarial dos professores foi destaque entre aprovações da Câmara na área de educação
No primeiro semestre deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 1334/26, que criou uma nova regra de reajuste do piso salarial dos profissionais do magistério público da educação básica. O texto, também aprovado no Senado, foi convertido na Lei 15.437/26.
A norma determina que, a partir de janeiro de 2026, o reajuste será baseado na soma:
- da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior (no caso, 2025); e
- de 50% da média da variação percentual da receita real de cinco anos anteriores (de 2021 a 2025, no caso de 2026) vinda de estados, Distrito Federal e municípios para compor o Fundeb.
A variação real corresponde ao que ficou acima do INPC no período.
A regra também valerá para profissionais contratados por tempo determinado.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o reajuste do piso em 2026 foi de 5,40%. Esse percentual reúne o INPC de 2025, de 3,90%, e um ganho real de 1,50%.
O piso nacional passou de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63 em janeiro de 2026.
INSS de bolsistas
Na área de educação, os deputados também aprovaram o Projeto de Lei 2950/15, que torna obrigatória a participação do bolsista de pós-graduação como contribuinte individual da Previdência Social para fins de acesso a benefícios como aposentadoria e auxílios.
De autoria do ex-deputado Davidson Magalhães (BA), o texto aprovado pela Casa foi relatado pelo deputado Ricardo Galvão (Rede-SP) e está em análise no Senado.
A contribuição assegurará, por exemplo, cobertura previdenciária em situações de doença, maternidade e incapacidade temporária. Além disso, possibilita a contagem do tempo dedicado à pesquisa para fins de aposentadoria.
A contribuição a ser recolhida pela instituição cedente da bolsa será de 11% sobre um salário mínimo (atualmente R$ 1.621,00).
Com essa alíquota, o acesso à aposentadoria será somente por idade, atualmente em 62 anos para mulher e 65 anos para homem.
Caso deseje aposentadoria por tempo de contribuição ou que o tempo possa ser aproveitado para se aposentar por algum regime próprio de servidores públicos, o interessado deverá complementar a contribuição recolhida pela instituição com mais 9% sobre a base de cálculo, a fim de totalizar 20% de recolhimento.
Escolas sustentáveis
O Programa Nacional de Escolas Resilientes e Sustentáveis foi aprovado pela Câmara dos Deputados para ajudar na adaptação às mudanças climáticas e no uso de recursos naturais.
Pedro Ventura/Agência Brasília
Deputados aprovaram programa que incentiva ações sustentáveis nas escolas
De autoria do deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), o Projeto de Lei 2841/24 foi relatado pela deputada Socorro Neri (PP-AC) e tramita agora no Senado.
O texto prevê ações como:
- a instalação, a manutenção e a melhoria dos sistemas de drenagem, ventilação e climatização;
- utilização de sistemas de energia renovável e equipamentos eficientes; e
- uso racional da água, da energia e gestão de resíduos.
Outras medidas incluem a arborização para evitar incidência solar e diminuir a temperatura média no ambiente, além de reformas e melhorias estruturais para aumentar a resistência das edificações a eventos climáticos extremos.
Cultura nas escolas
A Câmara dos Deputados aprovou ainda no primeiro semestre, a política nacional “Mais Cultura nas Escolas”, objeto do Projeto de Lei 533/24, em análise hoje no Senado.
De autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a proposta foi aprovada com a relatoria do deputado Tarcísio Motta, prevendo parceria entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios com a sociedade civil no setor da cultura.
Segundo o texto, a União deverá apoiar os outros entes federativos na elaboração de um plano de atividade cultural anual para as escolas públicas de educação básica.
Para viabilizar a execução dos planos, poderão ser utilizados os moldes operacionais e regulamentares do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).
Cada plano deverá conter as ações, as metas, o cronograma de execução e a previsão de início e término das atividades, envolvendo bens e serviços necessários à realização das atividades artísticas, culturais e pedagógicas previstas.
Números do semestre
No total, foram aprovados no primeiro semestre de 2026, pelo Plenário, 118 projetos de lei, 9 projetos de lei complementar, 20 medidas provisórias, 12 projetos de decreto legislativo, 5 projetos de resolução e 4 propostas de emenda à Constituição.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Marcelo Oliveira
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