Mato Grosso
Campanha de vacinação contra gripe é prorrogada em Várzea Grande
Mato Grosso
Da Redação
A Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande apresenta, até o momento, cobertura vacinal de 60,43% para um total de 56.974 pessoas que integram o público alvo da 19ª Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe (Influenza) no Município. As doses da vacina continuam disponíveis nas 19 unidades de saúde entre Policlínicas, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Saúde com atendimento das 7h às 11h e das 13h às 17h. A campanha terminaria na próxima sexta-feira (26 de maio), mas foi prorrogada até o dia 9 de junho.
A meta este ano é vacinar pelo menos 90% dos grupos considerados prioritários pelo Ministério da Saúde. A gerente de Vigilância Epidemiológica de Várzea Grande, Vitesinha Rosa Santos Almeida, ressalta que é muito importante as pessoas que integram o público apto a se vacinar que procurem uma das unidades de saúde do Município o mais breve possível.
Por enquanto, já foram ministradas 34.429 doses da vacina contra a Influenza nos indivíduos que compareceram aos postos de saúde ou participaram do Dia D de Mobilização realizado no dia 13 de maio. Na ocasião, foram montados postos de vacinação provisórios em outras localidades como foi o caso da Escola Estadual Professora Adalgisa de Barros para vacinar os professores da rede pública e privada que pela primeira vez também fazem parte dos grupos aptos a se vacinarem.
Do total de pessoas vacinadas até o momento em Várzea Grande, os grupos das crianças e das gestantes apresentam os menores índices de cobertura com 41,65% e 47,58%, respectivamente lembrando que a previsão é de vacinar 7.860 crianças e 3.930 gestantes. Por outro lado, os trabalhadores da saúde e as pessoas privadas de liberdade já foram todos vacinados ultrapassando a meta de 90% prevista pelo Ministério da Saúde.
Vitesinha lembra que a vacina está disponível para crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes, puérperas até 45 dias após o parto, idosos com 60 anos ou mais, pacientes com comorbidades (portadores de doenças crônicas), população indígena, pessoas privadas de liberdade (reeducandos e adolescentes internados em medidas socioeducativas), funcionários do sistema penitenciário, além de profissionais da saúde e professores das Redes pública e privada.
“A vacina contra a Influenza protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no país: A/H1N1; A/H3N2 e influenza B. A dose vacinal imuniza contra os principais grupos de vírus e as pessoas com as defesas boas não adquirem a gripe, por isso, é importante que as pessoas integrantes dos grupos alvos da campanha devem imunizar-se”, informa a gerente de Vigilância.
A campanha de vacinação contra a Influenza teve início no dia 17 de abril e a comunicação sobre a prorrogação do prazo final, em virtude do baixo índice de cobertura vacinal em todo o Estado foi feita pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) nesta quarta-feira por meio de ofício encaminhado ao Município de Várzea Grande.
Confira os locais de vacinação em Várzea Grande:
01- Centro de Saúde Água Limpa – Rua: Eduardo Gomes nº. 367 – Água Limpa
02 – Centro de Saúde Cohab Cristo Rei – Av. Principal S/n° Cohab Cristo Rei
03 – Centro de Saúde Nossa Senhora da Guia – Rua:17, S/n° Cohab Nossa Sra. da Guia
04 – Centro de Saúde Jardim Imperial – Av.Z, S/nº, Jardim Imperial
05 – Policlínica Cristo Rei – Av. Dom Orlando Chaves S/nº – Cristo Rei
06 – Policlínica Miguel Baracat – Av. Principal da Praia Grande, S/nº, 24 de Dezembro
07- Policlínica Dr. Moacyr de Lannes – Rua: Harmonia, S/nº, Jardim Glória II
08 – Policlínica Dr. Lucilo Macedo de Freitas – Rua: Julião de Brito, S/nº, Parque do Lago
09 – Policlínica Dra. Arminda Guimarães Sato (Marajoara) – Rua: Gov. José Malet, esquina com Rua 14, Bairro Jardim Itororó
10 – PSF. Manga- Binoca Maria da Costa. – Av. Ary Paes Barreto, S/nº, Manga
11 – PSF. Água Vermelha – Celestino Gomes Coelho – Rua: Luís Camões, S/nº, Água Vermelha
12 – PSF. São Mateus – Gonçalo Pinto de Godoy – Rua: 15, Qd 15, Lote 15, São Mateus
13 – PSF. Unipark- Manoel Bernardo de Barros – Av. 31 de Março, S/nº, Unipark
14 – PSF. Vila Artur- Maria Galdina da Silva – Av. 07 de Setembro, S/nº, Vila Artur
15 – PSF Souza Lima – Av. Principal – Souza lima
16 – PSF Capão Grande – Av. Principal, S/nº, Capão Grande
17 – PSF – Jardim União – Rua: G, Qd.39, Hélio Ponce de Arruda
18 – PSF- Manaíra – Av. Principal/esquina com R. 12, S/nº.
19 – Unidade Básica de Saúde do Ouro Verde – Rua 10 ( Av. Principal do Ouro Verde)
* O Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) também oferece a vacina contra a gripe para os pacientes atendidos no local como pessoas que fazem fisioterapia e gestantes.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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