MARCHANDO NOS TRILHOS

Lucas do Rio Verde comemora 33 anos com lançamento de ferrovia

Investimento de R$ 12 bilhões interligará Rondonópolis ao município, passando por Cuiabá e Nova Mutum

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Política

Divulgação: Secom MT

Lucas do Rio Verde, no médio norte mato-grossense, com 67.620 habitantes (45.556 em 2010), distante 336 quilômetros de Cuiabá, 16º município brasileiro com maior valor de produção agrícola, comemora 33 anos de emancipação administrativa nesta quinta-feira (05.08), com investimentos estaduais em moradia, pavimentação urbana, educação, assistência social e em infraestrutura ferroviária.

Em julho, o governador Mauro Mendes lançou o edital de chamamento público para a construção da primeira ferrovia estadual em Mato Grosso, interligando Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, passando por Cuiabá e Nova Mutum, e conectada à malha ferroviária nacional.

Investimento de R$ 12 bilhões, com geração estimada de mais de 235 mil empregos, a previsão é a de que o Terminal de Lucas do Rio Verde seja concluído até o 2º semestre de 2028.

Também em julho foi assinado aditivo com a Caixa Econômica Federal para aporte de R$ 2,2 milhões, recursos da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), para a retomada das obras de 350 unidades habitacionais do Residencial Vida Nova II, no município.

Foto: Prefeitura de Lucas do Rio Verde. Obras do Residencial Vida Nova II serão retomadas 

Resultado de convênio com a Sinfra/MT, a prefeitura luquense abriu licitação para execução de pavimentação asfáltica, meio fio e sarjeta, no Loteamento Venturini.

Educação

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) investe na construção da Escola Estadual Tarsila do Amaral, que atenderá cerca de 1.400 alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

Serão 16 salas de aula, laboratórios de informática, de química, biblioteca, além de toda a estrutura administrativa e a quadra poliesportiva com vestiários. Os investimentos são de R$ 8,699 milhões.

Escola Estadual Tarsila do Amaral Foto: Seduc-MT

Assistência Social

Por meio da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setasc), além da entrega de 2.416 cartões do Ser Família Emergencial, foram doados a famílias carentes do município 1.300 cestas básicas entre 2020 e 2021 pelo programa Vem Ser Mais Solidário e 553 cobertores, pelo Aconchego.

A Setasc atuou na intermediação de oferta de empregos, com 7.380 vagas oferecidas, 6.595 inscritos, 37.595 encaminhados e 2.943 colocados. Também intermediou a concessão de seguro-desemprego, dos quais 8.237 formais e 254 domésticos.

Segurança

Lucas do Rio Verde é um dos 50 municípios a serem beneficiados com a implantação de radiocomunicação digital, pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP). Esta é a terceira etapa do Projeto, que prevê todo o Estado utilizando a ferramenta até o próximo ano. 

Saúde e repasses

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) repassou ao município 5.575 testes rápidos para detecção do coronavírus e medicamentos para combatê-lo, num total de 239.804 comprimidos, entre azitromicina (29.490), ivermectina (23.592) e dipirona (186.722), também distribuído em gotas, com 4.587 frascos.              

Entre 2020 e junho de 2021, o Governo do Estado repassou R$ 152,5 milhões aos cofres municipais em ICMS, IPVA e Fethab; R$ 1,88 milhão em assistência social, transporte escolar entre 2019 e 2020; e R$ 19,9 milhões em fundos de saúde entre 2019, 2020 e 2021.

Economia

Segundo o IBGE, 2.877 empresas ou organizações em operação no município – entre elas, duas agroindústrias (proteína animal e biocombustíveis), uma indústria de fertilizantes, uma de químicos e duas distribuidoras de insumos – responderam pela sexta maior massa salarial de Mato Grosso.

Entre salários e outras remunerações, pagaram R$ 777,617 milhões a 26.881 pessoas ocupadas (41% da população), das quais 22.956 assalariados. Média de 2,6 salários mínimos mensais.

Mesmo ocupando a 16ª posição no ranking nacional dos municípios com maior valor de produção agrícola em 2019, os setores de serviços (R$ 1,8 bilhão) e indústria (R$ 1,222 bilhão) foram os principais responsáveis pela composição do Produto Interno Bruto (PIB) Municipal de 2018, de R$ 4.569 bilhões, o sexto maior do Estado e cujo percentual de crescimento em relação ao ano anterior foi de 22,7%. 

Agropecuária (R$ 637,09 milhões) veio em seguida, acompanhada de administração pública (R$ 416,978 milhões) e impostos (R$ 487,123 milhões). O PIB per capita foi R$ 72.058,74.

Sexto colocado na produção estadual de milho (1,04 milhão de toneladas) e sétimo em algodão (179,78 mil toneladas) em 2019, Lucas do Rio Verde cultiva ainda 789,6 mil toneladas de soja, além de arroz, feijão, mandioca, melancia, melão, sorgo, borracha, coco-da-baía, limão e tangerina.  

O município também se destaca na pecuária mato-grossense. É o segundo maior produtor estadual de alevinos (6,5 milhões), terceiro maior rebanho galináceo (7,4 milhões de cabeças) e sétimo rebanho suíno (133,129 mil).

Detém um rebanho bovino com 37,29 mil cabeças, das quais 1,7 mil vacas, com 2,75 milhões de litros de leite; um plantel de 362,4 mil galinhas com quase 5,5 milhões de dúzias de ovos e 3.410 ovinos, além de 4,5 toneladas de mel de abelha e 530 toneladas de peixes em cativeiro.  

Na silvicultura, conta com 5,9 mil hectares de eucaliptos plantados, 20 mil m3 de lenha e 3,9 mil de madeira em tora.

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Política

Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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