VALE DO ARAGUAIA

Governo licita serviços de manutenção de 190 km da MT-322

Os serviços serão executados no trecho que vai do entroncamento da BR-158 ao entroncamento da MT-437, no Araguaia

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Política

Foto: Secom-MT

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), deu início ao processo licitatório para a contratação de empresa de engenharia para execução dos serviços necessários para manutenção/conservação da rodovia não pavimentada MT-322, na Região Araguaia de Mato Grosso.

Os serviços serão executados em uma extensão de 190,3 quilômetros no trecho que vai do entroncamento da BR-158 ao entroncamento da MT-437, entre as cidades de Bom Jesus do Araguaia e São José do Xingu. Esse trecho é de grande importância para o tráfego de veículos pesados que realizam o escoamento da produção do agronegócio da região, já que é uma rota alternativa à BR-158, também não pavimentada.

De acordo com o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, a intenção é que seja contratada uma empresa que possa realizar a manutenção rotineira na rodovia, através de um Plano Anual de Trabalho e Orçamento (PATO).  O objetivo é manter as condições de trafegabilidade da rodovia, especialmente durante o período chuvoso.

Pavimentação da MT-130_Paranatinga e até o Distrito de Sete Placas
Foto Secom MT

Entres os serviços a serem realizados estão a limpeza de faixa de domínio, controle de vegetação, limpeza e conservação de drenagem, terraplanagem, obras complementares e sinalização, por exemplo, que devem ser executados em todos os 190 quilômetros da MT-322.  

“Com a realização desses serviços vamos garantir condições de trafegabilidade nessa rodovia, que é alvo de muitas reclamações durante o período chuvoso. Nesse trecho, investimos em manutenção durante o período da seca, mas basta chover que piora a qualidade da rodovia, pois o tráfego por essa estrada é pesado. Por ali passam caminhões e carretas carregados e que não deveriam transitar pela estrada com chuva. Por isso, estamos contratando uma empresa que atuará especificamente para melhorar a trafegabilidade da MT-322”, disse.

A licitação para a contratação dos serviços para manutenção/conservação é na modalidade Regime Diferenciado de Contratação (RDC), do tipo menor preço.  Ao todo, 11 empresas interessadas apresentaram propostas, sendo que o valor mais baixo ofertado pelas interessadas durante a etapa de lances foi de R$ 10,4 milhões. 

Esse montante representa um desconto de 36,19% em relação ao estimado pelo Estado à contratação, no valor de R$ 16,4 milhões. “Já avançamos na licitação com a abertura de propostas, que demonstrou uma importante economia para o Estado. Agora vamos para a etapa de habilitação, em que a empresa que ofereceu menor lance vai apresentar os documentos. Esperamos concluir a licitação ainda neste mês de agosto”, afirmou o secretário.

Já a respeito de eventual pavimentação da rodovia, o secretário lembrou que se trata de uma rodovia que cruza áreas das reservas indígenas Maraiwatsede e do Parque do Xingu e que  existe um projeto de engenharia que foi contratado pelo Estado no ano de 2010. No entanto, o mesmo já se encontra defasado, sendo necessária sua revisão e adequação, além dos respectivos licenciamentos necessários, de órgãos como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

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Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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