Multiplicação de valores
Prefeitura de Sapezal: Tomografia computadorizada aumentou 292% em menos de um ano
“Denúncias populares apontam que as suspeitas de irregularidades na Secretaria de Saúde, é apenas a ponta do que ainda está por vir, que poderá resultar em várias pessoas algemadas e presas”.
Política
Da Redação
“Todas as compras são realizadas dentro dos parâmetros legais, através de licitações, buscando a livre concorrência”, afirmou o secretário de saúde de Sapezal, Ralf Neves referente aos preços pagos pela Prefeitura por exames, porém outra discrepância chamou atenção, referente a tomografia computadorizada, que saltou de R$ 148.00 praticada nos últimos dois anos, para R$ 433.00 em 2021.
Os dados da Prefeitura de Sapezal mostram a diferença dos valores, porém não explicam porque aumentou tanto, em pouco tempo.
1 – Detalhamento do empenho nº 2950, de 2019, mostra que o serviço do exame de tomografia computadorizada foi no valor de R$ 148.00.

Foto: Divulgação
2 – Detalhamento de empenho nº 435, de 2020, mostra que o serviço do exame de tomografia computadorizada foi no valor de R$ 148.00.

Foto: Divulgação
3 – Descrição do contrato nº 04/2021, assinado no dia 18.03.2021, mostra que o serviço do exame de tomografia computadorizada foi no valor de R$ 433.00.

Foto: Divulgação
De acordo com o profissional matemático, consultado pela equipe de reportagem, o aumento chaga na casa dos 290%, diferença que não se equipara com nenhum índice praticado no país, como a inflação, câmbio de moeda internacional, oscilação dos valores dos combustíveis, entre outros.
“Suspeitas de desvios de recursos públicos, está decepcionando e assombrando a população de Sapezal”.

Foto: Edmar Zorze/ CâmaradeSapezal
Vários vereadores já se manifestaram sobre as matérias publicadas, quando informaram que estão solicitando os documentos para serem fiscalizados, comprovando as irregularidades, serão realizadas denúncias tanto na Câmara Municipal, quanto no Ministério Público Estadual, Federal e no Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO-MT).
“Denúncias populares apontam que as suspeitas de irregularidades na Secretaria de Saúde, é apenas a ponta do que ainda está por vir, que poderá resultar em várias pessoas algemadas e presas”.

Foto: Divulgação/Facebook
Desde o início deste mandato, que as atividades ligando a gestão Valcir Casagrande à frente da Prefeitura de Sapezal, resultou em várias denúncias, até então, muitas consideradas infundadas, até que as documentações e análises começaram a serem realizadas e equiparadas.
Após a publicação das primeiras matérias, vários outros documentos foram encaminhados para redação, onde estão passando por análises técnica de profissionais especializados, que dão fundamentação aos indícios ou suspeitas de irregularidades.
Para alguns moradores de Sapezal, cabe agora ao poder público fiscalizador, como os próprios vereadores, investigar, denunciar, trabalhar para esclarecer sobre o verdadeiro destino do recurso público.
Política
Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.
O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.
A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.
Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.
Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.
A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.
Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Critérios para concessão também foram questionados
Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.
Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.
Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.
Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.
A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.
Câmara poderá derrubar veto
Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.
O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.
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