Mato Grosso

Diretores do Cosem passam a fazer parte do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea

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Atualmente MT possui aproximadamente 38 mil doadores

Da Redação

 

A diretoria do Conselho de Secretários Municipais de Saúde de Mato Grosso (COSEMS/MT) sensível à causa das doenças hematológicas se mobilizou e se fez presente no MT Hemocentro para coleta de material e inscrição no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) plataforma eletrônica onde são inseridos os cadastros dos doadores voluntários. A ação contou com a presença maciça dos diretores que representam as 16 regiões de saúde mato-grossense.

Nas dependências do único banco de saúde público de Mato Grosso os gestores municipais de saúde foram recebidos por uma equipe da unidade formada pelas técnicas Silvana Kruger, Magda Matos, Rita Bezerra, Adriana Penha e Juliana Silva.

Já no auditório os gestores participaram de uma palestra esclarecedora sobre a doação de sangue e medula óssea, onde foi frisada a busca pela diversidade de genótipos, a necessidade real do engajamento dos doadores visto que muitos exames e até mesmo a doação são fora do Estado, da manutenção dos dados atualizados e também desmistificando a doação de medula. “Precisamos ampliar a representatividade de doadores, especialmente entre os quilombolas e indígenas, e aumentar a chance de vida para os receptores que precisam da medula óssea e que estão na fila de espera.”, ressaltou Silvana Kruger. 

A secretária de Apiacás, Fabiana Pessoa lembrou que em seu município foi procurada por um doador que foi recrutado e auxiliou na sensibilização de seu empregador. “O paciente me procurou na secretaria e buscamos auxiliar dialogando com o patrão, explicando a importância do trabalhador se ausentar para realização dos exames, até cumprir os requisitos para ser feita a doação”, relatou.

O propositor da ação junto aos secretários de Saúde, Marcos Felipe que é gestor no município de Tapurah destacou que a intensão inicial da proposta foi auxiliar um menino da sua região o Miguel, mas agora percebe que a sua contribuição com 5 ml de sangue e alguns minutos do seu tempo será fundamental para inúmeros Migueis. “A pressa que temos em cumprir agendas no dia a dia fica tão insignificante perto da pressa de quem necessita desta doação”, acrescentou.

Na ação foram coletadas 20 amostras que seguem para análise e inserção no banco de dados, a diretoria executiva do COSEMS/MT composta pela presidente, Silvia Regina (Porto dos Gaúchos, pela vice-presidente, Aparecida Clestiane (Nobres) e pelo secretário, Jader Bahia (Água Boa) participaram e avaliaram como produtiva e esclarecedora a contribuição dos gestores). “Conseguimos extrair informações e sanar dúvidas, levamos a experiência conosco e aguardamos a descentralização da coleta que hoje é feita somente na capital, dificultando o deslocamento dos munícipes de localidades mais longínquas”, concluiu Silvia.

DADOS

Em Mato Grosso existem aproximadamente 38 mil doadores cadastrados no REDOME, mas é necessária a ampliação e diversificação contínua no banco de dados para garantir assim uma chance maior de salvar vidas. A meta de cadastros para novos possíveis doadores é de 10 mil/ano.

Os principais beneficiados com o transplante são os pacientes com leucemia; linfomas e doenças autoimunes. A medula óssea é constituída por um tecido esponjoso mole localizado no interior dos ossos longos. É nela que o organismo produz praticamente todas as células do sangue: glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas.

Para ser doador de medula óssea é preciso ter entre 18 anos e 55 anos de idade, porém quanto mais jovem maior o tempo de permanência no banco nacional de doadores, destacou a assessora de direção do Hemocentro de Cuiabá, Silvana Kruger. “Por essa razão é que precisamos realizar a campanha de chamamento de novos doadores, todos os anos, para manter o cadastro ativo por mais tempo”.

É necessário ainda que os doadores mantenham o endereço e telefone sempre seus cadastros atualizados para facilitar a localização, em caso de compatibilidade.

Visando a conscientização à doação de medula óssea foi criada a Lei 9.807/12, de autoria do deputado estadual Ondanir Bortolini “Nininho”, que institui a Semana Estadual de Conscientização da Importância da Doação de Medula Óssea, no período de 22 a 28 de maio.

Os gestores municipais foram convidados a participar das atividades preparadas pelo Hemocentro juntamente com a Assembleia Legislativa e a Câmara de vereadores da capital que promovem neste mês audiências públicas para sensibilizar a população em geral sobre a necessidade e importância de ser um doador de medula óssea. A programação será desenvolvida no período de 22 a 28 de maio e prevê ainda a realização de campanha publicitária para atingir um universo maior de possíveis doadores.

Além desses eventos, o MT Hemocentro preparou um espaço específico para atender aos doadores de medula, na unidade de Captação de Doadores, na Rua 13 de Junho, 1055 – Porto – Cuiabá, que funciona segunda à sexta-feira, das 07h às 17h30, e na unidade de coleta do Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, na Rua General Vale 182, bairro Bandeirantes, de segunda à sexta-feira, das 08h às 17h. Não há custos financeiros e nem risco de saúde para o doador de medula óssea.

A Secretaria de Saúde do Estado está providenciando o credenciamento no REDOME de 16 unidades de saúde no interior, junto ao INCA – Instituto Nacional do Câncer, para ampliar o acesso do doador ao banco do REDOME.

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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