Política
Renan Calheiros pede a jogadores da seleção que não disputem Copa América
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Da Redação
O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19 no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou neste sábado (5.jun.2021) ter enviado uma nota aos jogadores e à comissão técnica da seleção brasileira de futebol em que defende que a eventual decisão de não disputar a Copa América “significará sua maior conquista”. O torneio continental foi trazido para o Brasil em uma iniciativa do presidente Jair Bolsonaro.
No texto, o senador diz não ser contra a realização da competição no Brasil ou em qualquer outro lugar, mas defende que o evento pode esperar até que o país esteja “preparado” para recebê-lo.
A mais nova manifestação de Renan Calheiros sobre a Copa América vem na esteira de uma mobilização interna dos jogadores da seleção brasileira contra a realização do torneio no país. A medida foi criticada de maneira efusiva pelo Grupo Globo, que sairá vitorioso se a competição for cancelada. O torneio, se realizado, terá transmissão pelo SBT.
Com início marcado para 13 de junho, a Copa América reúne 10 seleções de futebol para disputar 28 jogos. A final está agendada para 10 de julho, no Maracanã.
“Não realizar e não participar da Copa América no Brasil não é um ato político, é um gesto de respeito à vida de milhões de famílias enlutadas pela morte e por cicatrizes incuráveis. É adotar a mesma disciplina técnica e científica que todos da Comissão Técnica e todos os Jogadores obedecem, desde sempre, todos os dias”, escreve o alagoano.
Ele aponta que a nota é uma reflexão sugerida pela equipe técnica da CPI com o propósito de informar atletas e comissão da seleção brasileira com base em argumentos “estritamente técnicos, sem qualquer viés político”. Entre os fatores listados na mensagem está a alegação de que o Brasil não oferece segurança sanitária para receber um torneio internacional por ter vacinado, em números de 6ª feira (4.jun), apenas 10,77% de sua população contra o novo coronavírus.
Renan Calheiros também diz que o país enfrenta risco da chegada de uma 3ª onda de aceleração do contágio por covid-19, lembrando que as mortes pela doença já ultrapassaram a marca de 470 mil desde o início da pandemia.
“Morrem em média perto de 2.000 brasileiros todos os dias vitimados pela doença e o colapso do atendimento hospitalar se avizinha. Isso significa que a cada partida de futebol da Copa América, de 90 minutos, mais de 120 brasileiros estariam morrendo ao mesmo tempo. Futebol é uma das maiores expressões da alegria. Há alegria em uma situação como essa?”, questiona o relator da CPI.
Apesar de iniciar a nota sustentando que não há viés político em seu apelo, o senador escreve que há uma divisão entre os que são contra e os que são a favor da transferência da Copa América para o Brasil, sustentando que alguns tentam forçar a realização do torneio “como um ato político”, “como se a única neutralidade fosse obedecer sem questionar”. Renan diz que, para muito além da política, há uma discussão “entre ciência em oposição ao negacionismo”.
Ao tornar pública sua nota, o emedebista alegou, ainda, que estaria impossibilitado de apelar ao bom senso do presidente Jair Bolsonaro e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Eis a íntegra da nota divulgada por Renan Calheiros:
“Esta reflexão, sugerida pela equipe técnica da CPI da Covid-19 no Senado Federal é endereçada à Comissão Técnica da Seleção Brasileira e aos nossos craques, ídolos e atletas. Nosso modesto propósito é informar, alicerçados em argumentos estritamente técnicos, sem qualquer viés político. As razões para a realização da Copa América na iminência de uma terceira onda da pandemia no Brasil não corresponde a opção sanitária mais segura para o povo brasileiro.
1) O número de brasileiros vacinados representava, na totalização do dia 04/06/2021, apenas 10,77% do total da população. Isso o coloca o país na posição de número 64 no ranking mundial de vacinação adotando-se o critério percentual da população imunizada/100 mil habitantes. O Brasil não oferece segurança sanitária de acordo com dados objetivos para a realização de um torneio internacional dessa magnitude no país. Além de transmitir a falsa sensação de segurança e normalidade, oposta à realidade que os brasileiros vivem, teria o efeito reprovável de estimular aglomerações e transmitir um péssimo exemplo. Pelo atraso da vacinação estamos muito distantes da cobertura vacinal mínima para pensar em retomadas da vida normal;
2) O Brasil, onde pretensamente se realizaria a Copa América, registra hoje a trágica marca de mais de 470 mil mortos pela pandemia. Estamos vivendo um dos momentos mais críticos da doença, sob o risco concreto de uma terceira onda mais severa e, como constatado, com a população ainda não imunizada em percentuais seguros. Morrem em média perto 2 mil brasileiros todos os dias vitimados pela doença e o colapso do atendimento hospitalar se avizinha. Isso significa que a cada partida de futebol da Copa América, de 90 minutos, mais de 120 brasileiros estariam morrendo ao mesmo tempo. Futebol é uma das maiores expressões da alegria.Há alegria em uma situação como essa?
3) Temos ciência da divisão existente no Brasil. Alguns setores tentam forçar a realização da Copa América, ou não, como um ato político. Como se a única neutralidade fosse obedecer sem questionar. Por isso, trazemos a lume esses argumentos nitidamente técnicos. Para muito além da política, há uma discussão entre ciência em oposição ao negacionismo.
4) Pensem na preparação técnica de todos, nos treinamentos, deslocamentos, alojamentos, na meticulosa rotina de exercícios, na equipe de profissionais médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e tantos outros. Pensem nos esquemas táticos, nas técnicas que cada um desenvolve para alcançar o seu auge de desempenho como atleta. Há como negar que todos esses avanços são fundamentais? Essas rotinas e protocolos são “políticos”, as que todos vocês praticam todos os dias para manter a altíssima performance que é exigida de um atleta? Claro que não. Assim como não é político seguir protocolos internacionais num país que enfrenta um grave momento pandemia.
Não somos contra a Copa América no Brasil ou em qualquer outro lugar. Mas acreditamos que o torneio pode esperar até que o país esteja preparado para recebê-lo, assim como já aconteceu pela primeira vez na história com uma competição muito mais importante, as Olimpíadas do Japão. Não realizar e não participar da Copa América no Brasil não é um ato político, é um gesto de respeito à vida de milhões de famílias enlutadas pela morte e por cicatrizes incuráveis. É adotar a mesma disciplina técnica e científica que todos da Comissão Técnica e todos os Jogadores obedecem, desde sempre, todos os dias.“
Fonte: Poder 360 / https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/renan-calheiros-pede-a-jogadores-da-sele%C3%A7%C3%A3o-que-n%C3%A3o-disputem-copa-am%C3%A9rica/ar-AAKKihM
Política
Pivetta prepara enxugamento da máquina e avalia cortes no Governo de MT
O governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos) prepara uma revisão ampla da estrutura do Governo de Mato Grosso antes do início do novo mandato, em janeiro de 2027. A medida pretende identificar despesas que podem ser reduzidas e tornar a máquina pública mais enxuta.
A previsão é que um decreto seja publicado entre esta quarta-feira (7) e quinta-feira (8), estabelecendo os critérios para a análise. O trabalho deverá avaliar a estrutura dos órgãos estaduais, gastos com pessoal e custeio, contratos e possíveis sobreposições de funções.
A condução dos estudos deverá ficar a cargo de uma comissão presidida pelo ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo, que coordenou a campanha de Pivetta nas eleições deste ano. O grupo terá a missão de reunir informações de diferentes setores do Estado para elaborar um diagnóstico da atual estrutura administrativa.
Entre os dados que serão analisados estão o número de servidores e cargos existentes, a organização das secretarias, contratos firmados pelo Governo e despesas administrativas. A partir desse levantamento, a comissão deverá apontar setores com possibilidade de redução de custos e áreas que precisam ser preservadas ou consideradas prioritárias.
A revisão também poderá atingir o quadro de pessoal, principalmente os cargos comissionados. No entanto, a quantidade e o formato de eventuais cortes ainda não estão definidos e dependerão das conclusões do levantamento.
A proposta faz parte da preparação para o novo ciclo administrativo de Pivetta, que foi reeleito no primeiro turno no último domingo (4). A intenção é iniciar 2027 com uma estrutura considerada mais eficiente e com maior capacidade de direcionar recursos para investimentos e serviços públicos.
O movimento ocorre paralelamente às mudanças que o governador já sinalizou para a equipe de secretariado. Pivetta afirmou que pretende promover alterações pontuais na estrutura do Governo, sem uma reforma ampla, com o objetivo de corrigir áreas que ainda não apresentam os resultados esperados.
Com a revisão, a gestão pretende identificar onde há espaço para economia sem comprometer serviços considerados essenciais. O diagnóstico deverá servir de base para as decisões administrativas que serão tomadas na preparação do próximo mandato.
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